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Horta da Penitenciária de Montenegro abastece entidades do município

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Todos os apenados da horta foram selecionados por perfil
Todos os apenados da horta foram selecionados por perfil - Foto: Caroline Paiva/Ascom Susepe
Por Caroline Paiva/Imprensa Susepe

Trabalho prisional, inserção social e solidariedade: esta é a receita que vem gerando frutos, ou melhor, hortaliças, para diversas entidades carentes de Montenegro. Há quatro meses, cerca de 20 pessoas privadas de liberdade trabalham na horta da Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro e todos os produtos colhidos são doados.

São duas hortas que a casa prisional possui. Na maior delas trabalham 14 homens do regime fechado. São 1,5 m² de área onde eles plantam alfaces, repolhos, rúculas, beterrabas, cebolinhas, dentre outros. Já na menor, trabalham cinco mulheres e são plantados também chás.

As sementes e bandejas para sementeira são doadas pela floricultura Strack, de Campo Bom. Mas, de acordo com a assistente social Ana Caroline Ferreira, ainda são necessárias mais doações, inclusive de chapéus e protetores solar.

A ideia da horta partiu do agente penitenciário Guilherme Almeida, que supervisiona e coordena o trabalho dos presos. Segundo ele, começaram com a horta, primeiro limpando todo o mato que havia no local. Já o permacultor Paulo Roberto Lenhardt, da empresa Bio C, é quem auxilia no plantio e o preparo da terra, doando adubos orgânicos. Os pesticidas utilizados são os “cravos de defunto”, flores naturais que espantam os insetos.

O apenado Ivo, de 61 anos, que já é agricultor, afirmou sempre ter sido ligado à agricultura quando em liberdade. Ele trabalhou no artesanato, depois na cozinha geral do presídio, até ir para a horta. “Aqui é como se estivesse na rua, pois vamos para a horta pelo menos uma vez ao dia. Agora estou dando ainda mais valor para a agricultura”, disse. A ideia do detento é que, quando sair, consiga preparar uma grande horta para vender os produtos e gerar renda.

Conforme a assistente social, todos os apenados da horta foram selecionados por perfil, contemplando aqueles que já trabalharam na lavoura, ou que não possuem muito tempo de condenação para cumprir. Além disso, eles recebem o direito à remição: a cada três dias de trabalho, diminui um da pena.

Rede de solidariedade e doações
As atividades realizadas na horta funcionam como uma rede de solidariedade, já que além de oferecer trabalho aos presos, abastecem diversas entidades assistenciais do município, que recebem todas as hortaliças colhidas. As entregas são feitas pelos servidores(as) da penitenciária, todas as quartas e sextas-feiras, e rendem de 10 a 20 caixas por semana.

Segundo a nutricionista do Lar dos Menores (que atende também outras cinco creches), Cintia Rohr, a instituição já recebe os produtos há cerca de dois meses e, com a doação, não é preciso comprar este tipo de alimento. “Agradecemos muito o auxílio, porque além de tudo é um produto sem veneno, sem agrotóxico”, comentou.

Para a cozinheira responsável da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Montenegro, Maria Idalina Lopes, esta é uma ótima iniciativa, que auxilia na alimentação de cerca de 160 alunos(as) e pessoas que passam por atendimento clínico. “Recebemos doações, mas esta é a única de verduras e hortaliças. É muito bom, não tem como agradecer, pois toda doação é bem vinda”, agradeceu.

A iniciativa conta com o apoio da direção da casa prisional, por meio do diretor Loivo Machado e da vice-diretora Mariele Martins.

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