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Golpistas são presos por crimes de extorsão e associação criminosa

Uma mulher teve prejuízos de mais de R$ 180 mil em pagamentos a falsos sacerdotes

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Mesa de oferendas com toalha vermelha, imagens de santos, velas pretas e vermelhas.
Oito pessoas foram presas no golpe do falso pai de santo. - Foto: DCS/Polícia Civil - RS

A Polícia Civil realizou na manhã desta quinta-feira a operação Falsa Fé, uma ofensiva interestadual contra associação criminosa especializada em aplicar o golpe do falso pai de santo. Oito pessoas foram presas nas cidades paulistas de Itapevi, Cotia, São Paulo e Jacareí. Uma delas era procurada por homicídio. O grupo é investigado por extorsão e associação criminosa. Um veículo e celulares foram apreendidos e contas bancárias dos investigados foram bloqueadas.  

A investigação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, com apoio da Polícia Civil de São Paulo e do Laboratório de Operações Cibernéticas da Diretoria de Operações Integradas e Inteligência (Ciberlab/Diopi), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Durante a operação, 120 policiais civis cumpriram 18 mandados de busca e apreensão. 

Segundo a delegada Luciane Bertoletti, o grupo criminoso atuava de forma organizada, utilizando perfis falsos em redes sociais para captar pessoas fragilizadas, geralmente em momentos de sofrimento emocional. A investigação revelou uma trama de manipulação psicológica, ameaças e extorsão, que levou uma mulher a perder mais de R$ 180 mil. Os criminosos se passavam por sacerdotes nas redes sociais e prometiam resultados através de rituais espirituais.  

Em 29 de maio de 2025, a vítima acessou um anúncio de uma religiosa que se apresentou como Mãe Natasha em uma rede social. Ela afirmava ter o poder de manipular relacionamentos, por meio de rituais conhecidos como amarração. Ela cobrou R$ 300 pelo trabalho. A vítima fez o pagamento, mas a falsária alegou precisar seguir com sua intervenção, exigindo mais R$ 750. Quando a vítima tentou desistir, foi informada de que o cancelamento não seria possível e que as entidades espirituais poderiam puni-la, caso interrompesse o processo, o que originou uma escalada de exigências e ameaças.  

A suposta religiosa passou a pedir valores cada vez maiores, alegando que as entidades espirituais exigiam novos rituais. A criminosa ainda garantia que os valores seriam devolvidos em poucas horas após cada ritual, o que nunca aconteceu. 

No dia 30 de maio, outro personagem entrou em cena: um homem que se apresentou como pai de santo Hugo de Oxalá, suposto chefe do terreiro. Ele passou a intimidar a vítima, dizendo que ela sofreria consequências se não realizasse os pagamentos exigidos. 

Os criminosos se revezavam em mensagens e ligações, utilizando uma linguagem mística e ameaçadora. Temendo ainda ser exposta ao ex-companheiro — cujos dados os golpistas afirmavam conhecer — a vítima realizou sucessivas transferências para diferentes contas bancárias. 

Os valores pagos foram destinados a diversas pessoas físicas, em diferentes instituições financeiras, somando mais de R$ 180 mil ao longo de um mês. Taxas adicionais foram exigidas, totalizando novos prejuízos.  

O delegado regional Cristiano de Castro Reschke alerta sobre golpes cada vez mais sofisticados praticados nas redes sociais, com uso de recursos tecnológicos ou elementos de persuasão e convencimento eficazes, colocando as vítimas numa relação de envolvimento emocional e dependência. Ameaças e extorsões podem ser uma fase ainda mais danosa em termos psíquicos e financeiros”, afirmou Reschke 

DENÚNCIAS ANÔNIMAS:  LINHA DIRETA (51) 3425 9056  www.pc.rs.gov.br 

Texto: Dulce Mazer (Ascom/SSP). Edição: Luciana Balbueno (Ascom/SSP). 

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