Operação Desmanche completa 10 anos e celebra queda de 90% nos roubos de veículos
SSP promove evento para celebrar uma década da força-tarefa, que já apreendeu quase 15 mil toneladas de sucatas automotivas
Publicação:
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) promoveu a cerimônia de celebração dos 10 anos da Operação Desmanche, na tarde desta sexta-feira (20/3). O evento, realizado no auditório da SSP, destacou os resultados da força-tarefa e homenageou autoridades civis e militares que contribuíram com as ações desenvolvidas.
Desde 2016, a operação já percorreu 88 cidades de todas as regiões do Estado. Neste período, quase 15 mil toneladas de sucatas foram apreendidas, 300 estabelecimentos foram fiscalizados e 135 pessoas foram presas. Além disso, as ações preventivas e repressivas da força-tarefa contribuíram para a diminuição de crimes que tenham veículos como alvo. De 2015 a 2025, as ocorrências de roubo de veículos despencaram 90%, passando de 18.138 para 1.790. Já os furtos de automóveis caíram 69% (de 20.420 para 6.303).
O secretário da Segurança Pública, Mário Ikeda, agradeceu o trabalho de todos os envolvidos e elogiou as ações da operação. “Lembro muito bem dos problemas que envolviam o furto e o roubo de veículos. Felizmente, através de um trabalho contínuo e integrado, conseguimos a redução dos indicadores de criminalidade. Mas com certeza, a operação Desmanche tem uma contribuição extremamente importante, pois ela quebra a cadeia do furto e do roubo de automóveis. Para dar um exemplo, antes, só em Porto Alegre, tínhamos uma média de 35 roubos de veículo por dia. Atualmente, no Rio Grande do Sul inteiro, a média é de quatro roubos de automóveis por dia”, afirmou.
O coordenador da Desmanche, tenente-coronel Jefferson Eroni, destacou a atuação da operação e ressaltou que a diminuição dos índices de criminalidade envolve o trabalho integrado entre as forças. "Com a operação Desmanche, a SSP atua de forma contínua no combate ao comércio ilegal de peças automotivas. Essas ações ajudaram a reduzir o número de roubo e furto de veículos no Rio Grande do Sul. Mas, vale salientar, que essa queda na criminalidade também é fruto de um trabalho de integração permanente das forças de segurança, do qual a operação Desmanche faz parte”, salientou.
Já o diretor do Departamento de Planejamento e Integração, coronel André da Cunha Euzebio, falou da efetividade da força-tarefa. “A operação Desmanche é um exemplo de trabalho integrado e efetivo, na qual a SSP encontrou uma solução que ajudou na redução drástica dos crimes de roubo e furto de veículos. Pode parecer simples, mas este é um trabalho muito complexo e que envolve a colaboração de muitas pessoas. Quero agradecer o empenho e a dedicação de todos, pois felizmente podemos comemorar esses 10 anos com excelentes resultados”, enfatizou.
Forma de atuação
Cada edição da operação Desmanche tem as suas particularidades e demanda um planejamento específico. Os locais fiscalizados são escolhidos a partir de várias fontes, que envolvem desde informações dos departamentos de inteligência das polícias até denúncias recebidas pelo Disque-Denúncia (181) e outro canais. Vale destacar que a operação se concentra nos estabelecimentos irregulares, ou seja, os não credenciados pelo Detran/RS. As empresas credenciadas são fiscalizadas pela corregedoria do órgão.
As ações coordenadas pela SSP envolvem servidores da Brigada Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros Militar, do Instituto-Geral de Perícias e do DetranRS.
Uma vez no local, cada força de segurança atua em atividades específicas. A Brigada Militar faz a abordagem inicial, identificando os indivíduos que estão no ambiente e garantindo a segurança necessária para o desenvolvimento da missão.
A Polícia Civil recebe as ocorrências e faz os flagrantes. Os agentes também ajudam a identificar as pessoas e os materiais que estão no local para que haja uma classificação do que é permitido e do que não é permitido comercializar.
O IGP-RS, por sua vez, faz a análise pericial dos materiais, ajudando a identificar peças que podem ser oriundas de roubos e furtos. Já o Corpo de Bombeiros Militar realiza a fiscalização de toda a parte de legislação contra incêndios.
Por fim, o DetranRS é responsável pela verificação administrativa do local, conferindo se o comércio possui autorização para explorar a venda de peças.
Impacto ambiental e economia circular
Além de ajudar na redução dos crimes envolvendo veículos, a operação Desmanche atua no combate aos delitos ambientais, contribuindo para a sustentabilidade e a economia circular.
“As sucatas recolhidas são retiradas do local e encaminhadas para a reciclagem. O material apreendido é reutilizado para a produção de novos automóveis, compondo itens da estrutura básica dos veículos. A reutilização de autopeças e a reciclagem de componentes automotivos contribuem para a economia circular”, explica o tenente-coronel Eroni.
Estima-se que para cada automóvel que tenha suas peças reaproveitadas ou recicladas ocorra uma redução de 3,7 toneladas de gás carbônico (CO2) lançados na atmosfera. Partindo-se desse cálculo, a atividade dos desmanches reduziu aproximadamente 900 mil toneladas de CO2 emitidos, a partir de 194 mil toneladas de aço e outros materiais reaproveitados ou reciclados das sucatas. Para destacar ainda mais a expressividade desse número, a retirada desse volume de CO2 da atmosfera demandaria a realização da fotossíntese de 1,7 milhões de árvores.
Vale ressaltar ainda que das 26 milhões de autopeças catalogadas desde a vigência da Lei dos Desmanche, em 2015, 13 milhões já voltaram à circulação ou foram enviadas para reciclagem. A sucata também é aproveitada em usinas eólicas para geração de energia renovável, na construção civil e no agronegócio.
Texto: Leonardo Fister/Ascom SSP-RS
Edição: Ascom SSP-RS





