Operação visa golpes virtuais do falso familiar ou do “novo número”
Polícia Civil desarticulou grupo criminoso durante operação simultânea em Goiás, Mato Grosso e no Rio Grande do Sul
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A 3ª Delegacia de Polícia de Canoas realizou nesta quarta-feira (10/12) a operação Máscara, uma ofensiva interestadual para desarticular uma associação criminosa especializada nos golpes conhecidos como do falso familiar ou do “novo número”. Foram cumpridos nove mandados de prisões temporárias e 20 de busca e apreensão, além do bloqueio de nove contas bancárias em Goiás, estado onde estaria situada a organização criminosa.
Até o momento, seis pessoas foram presas.
Durante cerca de um ano, a Polícia Civil investigou a atuação do grupo organizado. O inquérito teve início com o registro do prejuízo de mais de R$ 10 mil por um homem que fez transferências bancárias, acreditando estar ajudando financeiramente seu filho.
Segundo apurado, os criminosos cometiam fraudes, passando-se por familiares (geralmente filhos ou sobrinhos) ao fazerem contato com as vítimas. Ao serem atendidos, eles alegavam uma emergência financeira (como um carro quebrado) para induzir as vítimas a realizarem transferências bancárias imediatas. Também usavam a suposta aquisição de um novo número de celular como pretexto para o contato com as vítimas.
Foram identificadas divisão de tarefas e funções no grupo, como captadores (responsáveis pelo contato inicial com as vítimas); conteiros (primeiros destinatários das transferências bancárias); distribuidores (encarregados de pulverizar o dinheiro) e operadores financeiros (titulares de contas em empresas financeiras digitais que davam aparência de legitimidade às transações).
Os investigadores tiveram o desafio de rastrear as transações bancárias, já que a organização criminosa usava plataformas digitais e contas do tipo carteira digital, buscando mascarar o percurso dos valores. Segundo a delegada Luciana Bertoletti, o dinheiro de uma das vítimas percorreu ao menos sete contas de integrantes do grupo, sendo pulverizado para dificultar a recuperação e a identificação dos operadores finais.
"O sucesso desta operação demonstra a importância da integração entre as polícias civis e o apoio especializado do Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Conseguimos não apenas prender os executores do golpe, mas atacar a estrutura financeira que dava sustentação a esta sofisticada rede interestadual, protegendo milhares de cidadãos vulneráveis," declarou a delegada.
A ação contou ainda com o apoio da Coordenação-Geral de Crimes Cibernéticos (CGCIBER/Diopi/Senasp), além da Polícia Civil de Goiás e da Polícia Civil do Mato Grosso. Cerca de 80 agentes foram mobilizados nos três estados.
O diretor da Delegacia Regional de Canoas, delegado Cristiano Reschke, ressaltou a relevância e o sucesso da operação para o combate aos golpes praticados no ambiente digital.
"A cada investigação, ampliamos nosso conhecimento sobre as estruturas criminosas e os recursos utilizados por esses grupos para aplicar golpes. Estamos no caminho certo ao priorizar a inteligência, a investigação e a integração, que são pilares fundamentais para fortalecer a repressão a esse tipo de crime. Essa operação demonstra que, com união e planejamento, podemos proteger mais cidadãos e combater de forma mais eficiente as fraudes digitais", afirmou Reschke.
Denúncias anônimas podem ser feitas através do telefone 181, ou pela Linha Direta (51) 3425 9056.
Texto: Dulce Mazer (Ascom/SSP). Edição: Luciana Balbueno (Ascom/SSP).