Perícia foi decisiva para elucidar tentativa de homicídio em hospital de Pelotas
Exames confirmaram a presença de quatro medicamentos em alimentos oferecidos ao paciente durante visitas
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A atuação técnica do Instituto-Geral de Perícias (IGP) foi fundamental para a elucidação de um caso de tentativa de homicídio ocorrido em Pelotas, envolvendo um paciente internado na Unidade de Tratamento Intensivo da Santa Casa da cidade. Os laudos dos alimentos oferecidos a um idoso de 72 anos durante visitas confirmaram a presença de quatro substâncias medicamentosas: um opioide, um benzodiazepínico, um relaxante muscular e um anti-hipertensivo.
As análises foram realizadas pela Divisão de Toxicologia Forense e pela Divisão de Química Forense. A investigação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, da Polícia Civil, resultou na prisão temporária de uma mulher de 52 anos, suspeita de tentar matar o marido ao menos três vezes por meio da administração de alimentos contaminados com medicamentos de uso controlado. O paciente segue hospitalizado e o estado de saúde dele é estável.
O idoso foi internado no dia 5 de dezembro com sintomas compatíveis com acidente vascular cerebral. Após apresentar evolução clínica positiva, ele voltou a piorar em duas ocasiões distintas, nos dias 9 e 16 de dezembro, e entrou em coma logo após a ingestão de alimentos trazidos pela esposa. A recorrência do agravamento do quadro clínico levantou suspeitas da equipe médica, que acionou a Polícia Civil.
O IGP foi mobilizado para atuar de forma urgente no caso. Amostras dos alimentos levados pela suspeita ao hospital e material biológico do paciente, como urina, foram encaminhados para análise pericial.
Atuação do IGP no caso
A perita criminal da Divisão de Química Forense, Milena Pellin Morsoletto, detalhou que a análise inicial dos alimentos foi realizada por meio de exames de triagem, que indicaram a presença das substâncias suspeitas. “A partir disso, realizamos análises confirmatórias, que comprovaram a existência de quatro medicamentos diferentes misturados à bebida láctea que a suspeita insistia para que o paciente ingerisse”, afirmou. O opioide encontrado na bebida láctea foi o mesmo encontrado na urina do periciado.
De acordo com a chefe da Divisão de Toxicologia Forense do IGP, perita criminal Paulini Wegner, o conjunto das substâncias encontradas tem um efeito depressor sobre o sistema nervoso central e também pode causar depressão respiratória. “Cada um desses medicamentos já apresenta esse risco isoladamente. Quando administrados em conjunto, os efeitos são potencializados, podendo levar o paciente ao coma. Sem o suporte hospitalar, o desfecho poderia ter sido o óbito”, explicou.
As buscas na residência da investigada resultaram na apreensão de diversas caixas dos medicamentos identificados pelas perícias. Outros alimentos levados anteriormente ao hospital seguem sob análise do IGP para verificar a possível presença das mesmas substâncias.
Texto: Anelise Sampaio / Ascom IPG. Edição: Letícia Jardim / Ascom SSP-RS