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A atuação do Instituto-Geral de Perícias no combate aos crimes de abuso infantojuvenil

Núcleo de Combate à Pedofilia e ao Abuso Infantojuvenil do IGP é pioneiro no país

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A foto mostra a utilização do equipamento RapidHIT ID
Instituto-Geral de Perícias soma conhecimentos técnicos em diversas áreas no combate aos crimes de abuso infantojuvenil. - Foto: August Gomes/Ascom IGP

Durante a campanha nacional do "Maio Laranja", de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, o IGP reforça a sua atuação junto às demais forças de segurança no combate a este tipo de crime. A campanha busca mobilizar a sociedade para a proteção de crianças e adolescentes, além de reforçar a importância das denúncias. 

Desde 2025, o IGP conta com o Núcleo de Combate à Pedofilia e ao Abuso Infantojuvenil (Nucope), projeto pioneiro no país por reunir especialistas em três áreas: informática forense, genética forense e perícias psíquicas. A proposta do núcleo é oferecer uma resposta articulada e especializada no combate aos crimes. 

De acordo com o perito criminal e coordenador do Nucope, Marcelo Nadler, o papel da perícia é buscar a materialidade e contribuir para a elucidação dos fatos, com base na técnica e na ciência. “Quando estruturamos o núcleo especializado, pensamos em elevar o nível do trabalho pericial, integrando diferentes áreas e qualificando ainda mais os laudos produzidos. Isso é fundamental para embasar decisões judiciais, seja para responsabilizar ou para inocentar uma pessoa. A Polícia Civil também vem evoluindo constantemente, com iniciativas como a criação do Núcleo de Operações Cibernéticas e o programa Libertar, que atua junto às escolas na prevenção e conscientização”, salienta. 

Tecnologia e ciência 

A foto mostra o setor de informática forense
Informática forense é responsável por fornecer provas digitais relacionadas a crimes cibernéticos - Foto: Leonardo Ambrosio/Ascom IGP

A informática forense é responsável por fornecer provas digitais relacionadas a crimes cibernéticos, como arquivos, mensagens e registros de atividades online. Em situações como o armazenamento de mídias de abuso sexual infantojuvenil, o trabalho do perito no local da ocorrência é determinante para a realização de prisões em flagrante, com o uso de tecnologias avançadas que aceleram as investigações e contribuem para um ambiente digital mais seguro. 

Já a genética forense atua principalmente em casos de abuso sexual, por meio de exames que permitem identificar agressores e reunir vestígios fundamentais para a elucidação dos crimes. O IGP realiza perícias genéticas envolvendo vestígios sexuais desde 1998, sendo um dos laboratórios de genética forense mais tradicionais do Brasil e o único laboratório estadual acreditado na ABNT NBR ISO/IEC 17025 do Inmetro. A norma atesta a competência técnica, confiabilidade, rastreabilidade e a qualidade dos ensaios, fortalecendo laudos periciais com reconhecimento internacional. 

Segundo o diretor do Departamento de Perícias Laboratoriais, Gustavo Lucena Kortmann, o departamento possui três divisões que trabalham de forma integrada: genética forense, toxicologia forense e química forense. 

Analisamos vestígios biológicos coletados das vítimas e buscamos relacioná-los aos possíveis agressores. Quando há um suspeito, realizamos a comparação direta. Caso contrário, o DNA é inserido no banco de perfis genéticos do Rio Grande do Sul, que é integrado ao banco nacional e realiza cruzamentos periódicos para identificação de autores. Com o Nucope, esses dados também passam a ser integrados às informações coletadas no local do crime e às análises psíquicas, fortalecendo ainda mais as investigações”, destaca. 

A foto mostra o corredor do CRAI
A perícia psíquica é realizada no Centro de Referência em Atendimento Infanto-juvenil - Foto: Divulgação/IGP

A perícia psíquica também integra os pilares do núcleo. No Centro de Referência em Atendimento Infanto-juvenil – Crai, são avaliados os impactos psicológicos em crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A partir de técnicas que respeitam a complexidade de cada caso, a perícia psíquica pode extrair elementos importantes do abuso a partir da memória e da avaliação do funcionamento mental da criança ou adolescente. Os psiquiatras e psicólogos do IGP são capazes de avaliar os impactos psíquicos vividos pelas vítimas, analisando seu nexo causal com as circunstâncias que estão sendo investigadas. Desta forma, é possível oferecer ainda mais provas para a autoridade policial, além de permitir melhores estratégias de apoio e recuperação para as vítimas. 

A perita médica-legista Andrea Goya Tocchetto Osowski destaca a importância da atenção das famílias. “Sempre orientamos os pais a ficarem atentos: saber onde os filhos estão, com quem andam e o que fazem. Sintomas como parar de brincar, alterações no sono, na alimentação ou dificuldades escolares podem ser sinais de alerta. Em adolescentes, isolamento e alterações de comportamento também exigem atenção”, destaca. 

As investigações podem ser iniciadas a partir de registros de ocorrência, denúncias anônimas ou monitoramento contínuo do ambiente digital. A população pode contribuir por meio dos canais oficiais de denúncia, com garantia de sigilo e anonimato: 

• Disque 100 – Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos 
• Disque Denúncia 181 – Secretaria da Segurança Pública 

Texto: Anelize Sampaio/ Ascom IGP. Edição: Ascom SSP.

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