Polícia Civil realiza operação para desarticular grupo especializado em roubo de cargas e lavagem de dinheiro
Foram cumpridos mandados em Porto Alegre, Gravataí, Canoas, Cachoeirinha, Viamão, Alvorada e no estado de SC
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A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) realizou, na manhã desta terça-feira (12/5), a operação Via Ápia para desarticular um grupo especializado em roubos de cargas lavagem de capitais. Até o momento, seis pessoas foram presas. Três veículos, documentos e celulares foram apreendidos.
Segundo a delegada Fernanda Amorim, que coordenou a operação, o objetivo foi responsabilizar os envolvidos e asfixiar financeiramente a organização criminosa, medida considerada indispensável para o combate efetivo ao crime organizado contemporâneo.
O inquérito teve origem a partir da descoberta de uma organização criminosa especializada na prática de roubos majorados contra motoristas de entrega no Rio Grande do Sul. As apurações demonstraram a prática de roubos violentos e a existência de uma estrutura logística permanente para a receptação qualificada das cargas roubadas, mediante grave ameaça e uso de armas de fogo, segundo a delegada. “A organização demonstrava elevado grau de profissionalismo e sofisticação, operando um esquema de lavagem de dinheiro destinado a dar aparência legal ao patrimônio obtido por meio de graves infrações penais contra o patrimônio e a ordem pública. O grupo possuía estrutura hierárquica rígida e divisão funcional de tarefas.”, afirmou.
Cadeia segmentada
A organização tinha núcleos específicos, com atribuições detalhadas, garantindo a continuidade das operações mesmo diante de eventuais prisões de integrantes. O núcleo operacional era responsável pelos roubos e pelo suporte, com uso de veículos registrados em nome de terceiros e equipamentos de bloqueio de sinal de radiofrequência, aparelhos ilegais que interferem em redes celulares, GPS e Wi-Fi.
O núcleo financeiro atuava na gestão de contas bancárias, no recebimento de pagamentos de locações e na fragmentação de valores para dificultar o rastreamento. Já o núcleo administrativo formalizava contratos de locação de veículos e imóveis, gerenciava manutenções e providenciava documentação para simular negócios jurídicos legítimos. A análise detalhada da dinâmica operacional do grupo revelou que a atividade criminosa se apoiava em uma complexa rede de pessoas, popularmente conhecidas como “laranjas”, recrutadas majoritariamente entre familiares e pessoas próximas ao líder da organização, o que conferia maior proteção e fidelidade à estrutura criminosa
Foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva, 15 de busca e apreensão, 15 quebras de sigilo telefônico e telemático, 11 afastamentos dos sigilos bancário e fiscal, três sequestros de bens imóveis e 11 bloqueios de contas, com indisponibilidade de valores. As ordens judiciais foram executadas em Porto Alegre, Gravataí, Canoas, Cachoeirinha, Viamão, Alvorada e no estado de Santa Catarina.
A ação contou com a participação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e com um efetivo aproximado de 100 policiais civis.
Texto: DCS/Polícia Civil. Edição: Ascom/SSP.